Carregando...

02/05/2013

META COMPRIDA ESTÁ CUMPRIDA: Volta a Ilha 2013. História de uma Dupla. Leia.


META COMPRIDA ESTÁ CUMPRIDA: relato do atleta Guilherme Madeira de Freitas da dupla Istepô referente a participação no evento Revezamento Volta à Ilha Asics - 2013.

        Senti a necessidade de dar um retorno aos amigos que torceram por nós e,
também, corroborar com a publicação do atleta e parceiro Alcebíades (Bida, Bidinha).
A ideia/promessa/sonho/meta era que um dia eu e Bidinha formássemos uma dupla para competir em uma das edições de tal evento. Uma loucura que surgiu quando o Bida era atleta juvenil e eu um ex-atleta (parei em 2002) e estudante de Educação Física que tentava emplacar na carreira de treinador. Mas Bida encerrou sua carreira de atleta ao ser admitido no exército e eu encerrei a prematura carreira de treinador, e me afastei do atletismo, no final de 2006.
Aí a vida deu voltas, chegou o ano de 2010, e junto com 2010 veio o esboço da Associação Esportiva Istepô e nós voltamos a treinar sem grandes pretensões. Nesse momento algo mais forte do que talvez o nosso sonho foi o convívio social com amigos, esposa e noiva que nos conduziram e forneceram combustível para essa realização.



         Dessa condução que cito, destaco a experiência de montarmos as equipes “Istepô às veras” e “às brincas” para competir no Revezamento Volta à Ilha de São Francisco do Sul em 2012. Lá que conquistamos as 2 vagas para esse evento de Florianópolis, ou seja sem as 2 vagas, nós não teríamos tido a oportunidade de montar uma equipe na categoria dupla.
Do combustível, destaco, para mim, a minha noiva Paula. Ela durante a preparação foi sensível o suficiente para me mandar/cobrar/incentivar a treinar nos momentos em que eu ameaçava fraquejar e, ainda, compreendeu os momentos de descanso necessário, inclusive faltando a compromissos sociais importantes, como aniversários, festas, ou só um encontro com os amigos ao fim do dia. Se isso não bastasse, ela compartilhou as minhas lamentações quanto a não me sentir bem nos treinamentos, e verificou que como um bom homem eu não iria facilmente a um consultório médico. Com muita insistência e iniciativa me levou a descobrir refluxo e alergias alimentares que dificultavam o meu desempenho físico.



         Ainda sobre combustível, destaco os amigos da Associação Esportiva Istepô e fora dela, que entre outras, frequentemente nos questionavam: Como vocês vão fazer? Quem correrá qual trecho? Quantos km vai dar para cada?... Essas perguntas curiosas, ao qual ainda não tínhamos respostas muito definidas, demonstravam interesse e curiosidade no nosso desafio. Isso nos impulsionou mesmo quando a última ou a primeira afirmação era: “Vocês são malucos”. Essa frase refletia no coração e dava o sentimento de que realmente faríamos algo inesquecível.



         O tempo de treinamento ficou para trás e o grande dia chegou: 20 de abril de 2013, após uma noite longa de pouco sono e muita ansiedade, por parte dos dois “loucos”, chegamos a largada. Bida correu o 1º percurso de 7 km em um ritmo, ainda não divulgado, mas provavelmente abaixo de 4:00 e entregou na 3º colocação. Eu finalizei meu 1º percurso perdendo 1 posição, a um ritmo médio de 4:22. Só voltamos a figurar em 3º no 3º percurso do Bida (Daniela - Jurerê), mas novamente, no meu trecho perdi 1 posição. No 4º percurso do Bida (Cachoeira do bom Jesus - Praia brava) Bida entregou em 3º e assim fomos mantendo. A prova foi fluindo o cansaço se apoderando de nós quando o Bida chegou na Joaquina (seu 6º percurso) e sinalizou para irmos para o plano B. O plano      A consistia em o Bida fazer o percurso mais difícil da prova, o sertão, o plano B seria eu. Mas para isso acontecer eu tinha que dobrar o percurso Joaquina e Campeche entregando em frente à Lagoa do Peri para inverter a sequencia. Esse trecho ficou em 12,5 km tendo areia fofa para enfrentar. Deu medo! Fiquei nervoso! Corri da Joaca ao Campeche em um ritmo próximo a 5:30 e com dores no joelho direito, esse foi meu momento mais difícil. Durante o percurso decidi que não teria como dobrar, estava realmente difícil. Avistei o posto de troca e de longe vim sinalizando que não daria para mim. Cheguei no posto de troca e Marcos estava lá me esperando e disse que o Bida já tinha ido para o posto seguinte. Então parei. Sentei em uma pedra. Recebi a hidratação que Marcos me forneceu. Tirei o Tênis e entreguei a ele. Isso em menos de 1 min. Respirei fundo e disse: - Vamos nessa. Nesse percurso resalto o apoio fundamental do Marcos que além de recolher o tênis, me forneceu hidratação e me acompanhou durante o trajeto e, ainda, ao final da areia fofa me calçou para eu correr no asfalto do Morro das Pedras. Logo avistei o final dos trechos e o Bida que me renderia no momento (foto). Desta entrega até a próxima largada, ressalto o apoio da Liliana que me ajudou formidavelmente, além de nos conduzir de posto a posto de troca, ela me possibilitou ficar ajojado dentro do carro, ao mesmo tempo em que tinha as minhas necessidades atendidas. Alí, parado nos Açores, esperando o Bidinha, muito ajojado e tentando me alimentar, falei ao telefone com a Paula, ela não sabe mas suas palavras quase me fizeram chorar. Em seguida e ainda dentro do carro, olhei para o morro que me esperava, e pensei com muita gana “TU ÉS MEU”. O Bida chegou em um sofrimento inarrável, trazendo com ele o 4º colocado e com eles a minha vez de correr novamente. Esse momento eu não sabia pois estava correndo, o Bidinha havia ido em casa tomar um banho, encontrou sua família e contra a vontade deles e de seu corpo, foi para o posto de troca no Canto do Rio. Bida estava convicto que a sua árdua tarefa que faria seria somente completar seu último trecho, tendo em vista que o adversário que estava próximo a nós iria nos ultrapassar. Esse adversário que estava a correr comigo havia sido mais rápido que eu no mínimo nos 3 primeiros percursos. Correndo pelo temido sertão, percebi que o 4º colocado também estava muito cansado, pois a distancia entre nós começou a aumentar, esse reforço psicológico me deu mais gana e botei na minha cabeça que teria que abrir 15 minutos dele pois assim o Bida poderia correr mais lento que o seu adversário em até 1 mininuto por km na sessão seguinte. Então desci o sertão e logo em seguida avistei, para minha surpresa, o Beto (irmão do bidinha), o Bida Pai e o amigo Daniel. Eles me acompanharam, chegando Daniel a correr dando aquele apoio. Se a animação já estava boa, imagina quando vi o meu pai. Essa turma conferiu a diferença que eu havia aberto entre eu e o nosso adversário. A essa altura estava em 8 minutos, mas eu queria 15 me esforcei ainda mais e pedi para o Marcos que estava próximo da nossa comitiva que desgarrasse e alertasse o Bida que eu estava chegando e o informasse da diferença que ele teria para administrar. Assim foi feito. Minutos depois de eu chegar e atualizar a diferença entre nós e os adversários, Liliana me contou que estava ao lado do Bida quando receberam a boa notícia, vinda do Marcos, mas esta boa notícia fez Bidinha vir as lágrimas. O valente Bida sabia que seu corpo estava debilitado (além do desgaste da prova, estava com hipoglicemia – mas não sabiamos disso) e que não conseguiria administrar a diferença. Mesmo assim ele havia partido para a missão impossível. A diferença atualizada chegou a 10 min e esses 10 minutos foram tirados em cerca de 5 km. No momento da ultrapassagem eu estava junto com ele, o Bida estava no chão com uma baita câimbra na panturrilha. Ali vendo que a classificação em 3º lugar havia nos escapado Bida tomou uma decisão memorável digna de um homem louco, coerente com o nossa meta e confirmando o que muitos diziam sobre o nosso desafio. Bida levou perto de 3 horas para completar o percurso de 15 km, ele precisou fazer pausas em sua caminhada, caminhada essa que foi acompanhada pelo Beto, Daniel e Liliana. Bida avistou o final e ao me entregar o bastão/chip Bida me pediu desculpa, com uma cara de derrotado, fizemos uma troca sem pressa, dei um forte abraço e disse a ele que tinha sido um prazer enorme ter tido ele como parceiro, recomendei que esperasse pela ajuda médica e fui concluir a IDEIA/PROMESSA/SONHO/META. Completei recebendo o apoio do Renato durante o último km e cruzei a linha de chegada com mais alguns istepôs ao meu lado.
Bida, esposa, noiva, familiares, isteporis, amigos e curiosos. O “sonho” de uma criança que eu comprei e me comprometi há muitos anos e que anos depois foi conduzida e motivada por diversas pessoas, realizou-se dessa forma que narrei. 



         Ao final desse relato quero deixar registrado o meu agradecimento imenso a todos que compraram e compartilharam dessa loucura. Registrar, também, que não atingimos a IDEIA/PROMESSA/SONHO/META com pódio, mas vivenciamos um ato de enorme bravura por parte do meu parceiro, que fez algo que poucos humanos suportariam, continuar na prova naquele estado somente pelo compromisso comigo e com a nossa IDEIA/PROMESSA/SONHO/META principal - correr em Dupla o Revezamento Volta à Ilha Asics.
Valeu!


Florianópolis, 26 de abril de 2013

Guilherme Madeira de Freitas
 — com Alcebiades Pinheiro e outras 4 pessoas.




Nenhum comentário:

Postar um comentário